Verdades que precisam ser ditas

Hoje o meu post não vai falar especificamente de planejamento, relações públicas ou publicidade, mas de comunicação como um todo.
Desde quarta eu estou ouvindo (e lendo) futuros jornalistas reclamando da decisão do STF de derrubar a obrigatoriedade do diploma de jornalismo.
Sinceramente, eu não tenho nada contra essa mudança, acho que pouca coisa vai mudar e mesmo assim essas poucas mudanças não vão prejudicar os profissionais de qualidade.
Perai!! Antes de abrir a caixa de comentários e começar a me xingar, leia o post até o fim.
Aqui vão algumas verdades não só para jornalistas, mas para todo mundo que estuda ou é formado em comunicação social.

1) Qualquer um pode fazer comunicação.
Isso é FATO! Afinal, nós aprendemos comunicação desde o momento que nossos sentidos começam a funcionar ainda dentro da barriga da mamãe.
Então por que estudar Comunicação Social? Porque na vida nós só aprendemos a técnica e, com raras exceções, apenas em situações que abrangem públicos pequenos. Para lidar com problemas de comunicação bem mais complexos, como os que nós estudantes e profissionais lidamos, é preciso entender o processo de comunicação e aprender uma técnica bem mais complexa do que a da comunicação que todos são acostumados a lidar.

2) Ainda assim, qualquer um pode escrever um artigo, fazer uma reportagem, criar uma peça de comunicação, etc.
Outro fato. Afinal, nós estamos cansados de ver engenheiro em assessoria de comunicação, fisioterapeuta criando o próprio cartão de visitas, lojista criando seus próprios cartazes, etc.
Muitas vezes esses trabalhos feitos por leigos é eficiente, mas não preciso nem falar que essas peças normalmente são horrorosas e várias vezes nos deparamos com situações dignas de boas risadas envolvendo essa "comunicação improvisada". Uma vez eu e uma colega estavamos andando pela faculdade quando nos deparamos com um cartaz, se não me engano feito por meninas da educação fisica, marcando um encontro para meninas interessadas em vôlei. porém o cartaz não trazia a data do encontro. Imagina a decepção das meninas ao chegar no encontro e depararem apenas consigo mesmas. Outro caso parecido eu e meu namorado presenciamos, quando pegamos no cinema um popcard de um novo restaurante japonês, cujo endereço havia sido carimbado popcard por popcard. Enfim, os exemplos são infindáveis e abrangem todas as áreas da comunicação.

3) Profissional de Comunicação NÃO é auto-suficiente
Quem acha que porque é jornalista, publicitário, relações públicas pode fazer uma logo para um constultório médico, uma reportagem sobre bichos, ou planejar a comunicação de uma multinacional por si só que nem os especialistas dessas áreas faria melhor, precisa por o pé no chão.
Profissional de Comunicação tem que saber falar sobre tudo, se virar em assuntos dos mais diversos. É exatamente nessa hora que você mostra a sua eficiência, as a gente tem que perceber que especialistas as vezes podem sim fazer uma reportagem muito mais satisfatória que a gente. O ideal é ser aliado de quem entende daquilo que se quer falar, perguntar, pesquisar, se aprofundar sempre e cada vez mais, pois assim os conhecimentos do especialista e o seu caminharão juntos para chegar ao melhor resultado.

Então, pessoal, é hora de quem acha que o fim da obrigatoriedade do diploma é também o fim do jornalismo botar o pé no chão e parar de se achar o dono do mundo e é hora de quem acha que não é fim do jornalismo, mas dos jornalistas, acordar para o seu próprio papel e importância.

p.s.: esse post reflete apenas opiniões pessoais minhas

2 comentários:

Gabriel Aragão disse...

Brilhante!!! Até pq nem todo diploma é garantia de qualidade

Gustavo Almeida disse...

Realmente Brilhante Taís.
Muito bom a maneira como você tratou de um assunto em pauta constante dos últimos dias. Mais interessante do que tudo que já li até agora a respeito do assunto.
Parabéns

 
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