A
oficina do dia 30/6 sobre narração esportiva foi ministrada pelo talentoso
locutor da rádio Itatiaia Enio Lima.
Um
apaixonado por rádio, Enio cresceu fascinado pela máquina. Era uma brincadeira
de criança simular os jogos em sua voz ao imitar os locutores consagrados do
jornalismo esportivo. Com formação de jornalista partiu em direção ao seu sonho
trabalhando em rádios comunitárias, depois na Rádio Terra e finalmente em 2004
na Rádio Itatiaia. A trajetória difícil revela sua paixão por esse meio de
comunicação que não o fez desistir em nenhum momento do seu sonho.
Enio
bem humorado narrou experiências do início da carreira como locutor. Logo em
sua primeira narração cometeu, segundo ele, um desastre. Devido ao grande
nervosismo e responsabilidade, justamente ao entrar ao vivo apareceu o famoso “branco”.
Gaguejou, errou nomes de atletas e times. Mas o que, como ele mesmo diz, faz
parte da carreira de qualquer profissional. Hoje mais experiente tem segurança
para narrar de forma convicta os lances de uma partida.
Quanto
a visão que tem do rádio, Enio deixou dois pontos importantes:
Primeiro que o rádio jamais perdeu ou perderá forças. Assim como duvidaram da
sobrevivência da oralidade frente a escrita e da TV frente a internet, as
dúvidas quanto a sobrevivência do rádio nos tempos modernos não se
concretizaram. O que há hoje é uma convergência de mídias que potencializa
ainda mais cada meio de comunicação.
E
segundo que o rádio em suas tradicionais configurações ainda se faz muito útil
no cotidiano de milhões de brasileiros. É uma das poucas mídias que exercem tão
bem esse papel secundário de captar a atenção do receptor em situações diversas
como dirigir um carro.
A facilidade de uso do rádio é ainda um ponto
muito forte em sua utilização popular que juntando com a sua natural rapidez de
sinal o torna um excelente prestador de serviço para a sociedade. Geralmente este
é o primeiro meio de onde surge a informação, fator que por outro lado requer
muito cuidado por ser uma mídia que passa o status de credibilidade,
diferentemente da internet.
Confira
um trecho da oficina ministrada por Enio Lima, onde fala sobre as etapas de uma
jornada esportiva e também da relação bem humorada com seus colegas de trabalho
da Itatiaia FM.
Marketing Político. Este foi um dos temas amplamente debatidos no Intercom, ocorrido nos dias 28,29 e 30 de junho. A oficina Histórico e Tragetória do Marketing Politico no Brasil ministrada por Adolpho Queiroz, professor na Universidade Mackenzie, ofereceu uma análise sobre como o marketing político, ou seja,o planejamento estruturado de determinadas ações de comunicação, é essencial para obter bons resultados em campnhas eleitorais.
Adolpho iniciou em 1999, um projeto de grande importância para a história da propaganda política no Brasil. O projeto divide-se em 3 obras que pretendem contar e analisar as campanhas eleitorais e presidenciais desde a instauração da República até as eleições de 2010.O teor da oficina foi todo baseado no mais recente livro publicado, o 2° do projeto: "No espaço cênico da propaganda política."
O Projeto
Adolpho destacou a importância da comunicação, durante e após o processo eleitoral. Cada meio tem sua particularidade, sua abrangência e saber adequar o discurso ao público e à estrutura de cada veículo é fundamental. A Tv e o Rádio possui os maiores alcances e abarcam o horário eleitoral gratuito. Já na mídia impressa não há veiculação de anúncios, mas é possivel identificar seu carater politico partidário através de sua linha editorial.Um fato curioso é a apropriação de outdoors pelos candidatos, impossibilitados de publicarem a divulgação da candidatura através do mesmo, os candidatos o utilizam para veicularem suas imagens em mensagens de dias comemorativos, como dia das mães, dos pais, natal e etc..O palestrante chama a atenção ao fato que mídia alguma possui a capacidade de eleger, por si só, um candidato. Mas, elas, de maneira articulada, exercem forte influência na decisão do eleitor.
Planejar é Preciso
É de extrema importância que o candidato entenda que uma campanha eleitoral bem feita demanda planejmento e tempo, a comunicação deve ser construída. Atualmente, muitas campanhas são improvisads em decorrência da desvalorização e e do descompromisso com a área de comunicação. Não há valorização da mesma, nem na campanha, nem no exercício do poder.
Eleições na Rede
A internet, no Brasil, ainda caminha no sentido de se tornar uma mídia amplamente utilizada pelos candidadtos. Nas últimas eleições houve restições para o uso da propgadana eleitoral na rede, porém , talvez esse seja o ano "0" na utilização da mídia digital para campanhas eleitorais. O maior limitador encontrado,porém, é a falta de um conhecimento prévio em relação à linguagem e às estratégias de persuasão via web, ou nas palavras de Adolpho: " É preciso aprender a seduzir os eleitores pela internet."
Há também, uma forma peculiar de divulgação de informação durante as campanhas, a "boataria" tambem conhecida como o marketing boca a boca. A boataria consiste em conversas deliberadas em espaços públicos cujo objetivo é difundir mentiras sobre o adversário na sociedade.
Porém, há alguns fatores que dificultam uma comunicação eficiente no contexto eleitoral como as dimensões continentais do território brasileiro, as peculiaridades regionais, a legislação eleitoral inconstante,
a desinformação e o desinteresse do papel da comunicação por parte dos candidatos.
Histórico e Trajetória do Marketing Político Brasileiro
Por fim, foi apresentada a trajetória, as características e o desenvolvimento do marketing político presidencial brasileiro desde o governo de Prudente de Morais até Itamar Franco. Deste modo, identifica-se três fase da propaganda política
1° fase: Restrita a jornais impressos. Os profissionais de marketing até então eram basicamente os jornalistas.
2° fase: Ascensão do rádio e de um novo tipo de público, mais popular e menos sofisticado que o público dos jornais. Incorporação das músicas às propagandas eleitorais, ou seja, utilização de jingles.
3° fase: Hegemonia da Tv. A televisão é o lugar onde ocorrem os debates, anúncios e o horário eleitoral gratuito.
Se interessou pelo assunto? Para saber mais acesse o site da Associação brasileira de Comunicação e Marketing Político o POLITICOM
No segundo dia do Intercom (29), Carlos Jaúregui, doutorando em Comunicação Social na Universidade Federal de Minas Gerais, apresentou seu estudo sobre o futebol e o jornalismo popular. Carlos analisa a emoção no jornalismo esportivo como um todo a partir de 243 manchetes da capa dos jornais Estado de Minas, Super Notícia e Lance!, sendo que essa análise olha a dimensão verbal das manchetes.
De acordo com o doutorando, a abordagem do jornalismo esportivo pela mídia impressa é mais emotiva e tende-se a ser mais brincalhona, já que o esporte é uma brincadeira. Carlos percebeu que há a presença da humilhação, orgulho, zombamento e ridicularização nos títulos, frisando, muitas vezes, a rivalidade entre times.
Carlos Jaúregui, durante sua apresentação no Intercom Sudeste
Os leitores das sessões esportivas não buscam pelos resultados ou narrativas dos jogos, já que eles provavelmente já souberam dessa informação; mas sim por debates, análises dos jogos e servições para o leitor - como tabela campeonato. A informação contida nos jornais são mais investigativas, trabalhando com hipóteses e rumores, com destaque para contratações de jogadores, vendas e troca de treinadores.
Em sua análise, o que mais surpreendeu Carlos foi o fato de que o Super Notícia apelava muito mais para o emotivo do que os outros jornais. O jornal também apresentava títulos mais chamativos e com trocadilhos, isso porque o Super é um jornal popular e que as pessoas não vão buscá-los nas bancas de jornais e revistas, mas sim nos semáforos, padarias e mercearias, seus principais pontos de venda. Além disso, o Super transmite o que ocorreu nos jogos de maneira mais objetiva, utilizando o título verbal, que apareceu em 85% das manchetes analisadas; e mostra mais os bastidores dos clubes.
Capa do Super Notícia: a parte de esportes (verde) com títulos objetivos
A vivência do leitor, de acordo com Carlos, é algo que influência diretamente no título dos jornais. O fato do jornal ser assinado ou não e onde ele é comprado caracteriza como deve ser a manchete da notícia.
Essa foi a frase que o palestrante Wellington Santos mais usou em sua oficina “A ferramenta do Marketing de Guerrilha na Comunicação”, que aconteceu na tarde de hoje, no primeiro dia do XVII Intercom Sudeste.
Segundo
ele, essa ideia da conversão está ligada à característica de
convencimento, de conquista típicas do Marketing de Guerrilha. Na
palestra, Wellington fez um percurso teórico a respeito da lógica das
estratégias que são necessárias para realizar o investimento nesse tipo
de ação de guerrilha, que, segundo ele, não fica barato: na casa dos
milhões. Daí a necessidade de planejar, analisar e estudar tudo com
muita cautela. Ele ainda alerta: temos que contar com o inesperado.
Imagine chover no dia que você marcou seu flash mob que era pra ser feito
na praia? A ação seria ineficaz, porque poucas pessoas vão a praia em
dias chuvosos. Portanto, é necessário, além de todo o trabalhoso
planejamento da ação em si, contar com alternativas também estratégicas
para lidar com essas surpresinhas.
O
palestrante também enfatizou o espaço do Marketing de Guerrilha no
mercado: ele não ocorre na arena principal de embate das
marcas/serviços/produtos; e ele afirma sobre a importância de as marcas
não se apegarem a esse tipo de ação, porque também é necessário investir
nas principais mídias, aquelas que a maioria do público que se quer
atingir tem acesso. Para exemplificar o fracasso de campanhas que
focaram somente em ações fora da arena principal de debate, ele mostrou o
seguinte vídeo:
Mas
isso, de acordo com ele, também é relativo, e varia de empresa pra
empresa. O Tic Tac, por exemplo, teve muito sucesso com este flash mob:
O que é Marketing de Guerrilha?
Nessa
segunda parte da oficina, Wellington Santos trabalhou com definições e
esquemas que faziam entender o papel do Marketing de Guerrilha hoje, que
é bastante associado ao nosso cotidiano. Segundo ele, as ações devem
funcionar como uma pedra no sapato, que realmente interfira na rotina
dos indivíduos para ser eficaz. E aliado a essa intervenção está o
destaque dado à relação da marca com os clientes, que, também por meio de ações do marketing de guerrilha, pode ser associada a sentimentos positivos, tais como o encantamento e o prazer. Bom.. e como se faz isso?
É
aí que surge a relação com a arte, com a subjetividade humana. Antes de
tudo, ele afirma que a Comunicação não é arte, mas pode se utilizar
dela para se posicionar positivamente com seus clientes, promovendo no
cotidiano das pessoas ações de encantamento, que esbarram em você, que
interferem no seu dia a dia. Isso não é mágico?
Nesse momento da oficina, ele categorizou três tipos de ações da guerrilha para provocar esses sentimentos positivos: as instalações, as performances e as mobilizações. A
primeira pode ser exemplificada pelo canteiro de flores em formato de
chinelos da marca Havaianas numa estação de metrô em São Paulo. Percebem
o quanto isso é impactante? Principalmente numa estação de metrô, um
lugar super movimentado e que a presença de plantas não é comum.
Falando sobre o do tipo de ação, as performances,
são aquelas como as do Tic Tac e da TNT. Além delas, o palestrante
falou da que envolveu o Black Eyed Peas e a Oprah (abaixo). Uma palavra:
arrepiante.
Um
flash mob que ele não citou foi o da T-mobile, que faço questão de
postar aqui. A ideia da marca de provocar esse sentimento de
encantamento, de prazer, de fazer tantas pessoas em Londres uma banda
nascida lá é sensacional. Esse tipo de experiência, na minha opinião, é
capaz de fidelizar um cliente. Pra quem ainda não conhece, confiram
aqui:
E, finalmente, falando sobre o último item, a mobilização.
Wellington cita a internet, com ênfase para os virais, de mobilizar
públicos. Apesar disso, ele não concebe uma visão que endeusa a
internet, dizendo acreditar mais na mobilização face a face, do contato
entre pessoas seja com o produto, com um representante da marca, com uma
instalação ou performance como uma experiência mais forte para as
pessoas, sugerindo um alcance mais concreto. Essa ideia também me
remeteu a um vídeo feito por fãs da banda Red Hot Chilli Peppers que,
enviando vídeos em que contavam seus segredos, foram selecionados para
participar do videoclipe de “Did I let you know” da banda. Olhem que
supimpa:
Finalizando
esse post, Wellington Santos dá um alerta: não pensemos que as ações do
marketing de guerrilha são definitivas: é necessário manter os novos
clientes, é readequar a marca às necessidades dos consumidores, da
própria empresa, assim como às tendências do mercado.
Wellington Santos é formado em jornalismo pela Uni-BH.
É das agências Glória Comunicação Humana, Fúria Comunicação e Marketing de Guerrilha.
O Intercom Sudeste é o congresso regional de Comunicação que permite aos alunos de todo o país apresentarem seus trabalhos, adquirirem e compartilharem seus conhecimentos. Além disso, mesas de debate, oficinas e palestras com profissionais da área são oferecidas pelo evento organizado pela Intercom. O assunto do congresso este ano, que ocorre em Ouro Preto - MG, é "Esportes na Idade Mídia - diversão, informação e educação", um tema muito relacionado com o momento que o Brasil está vivendo, já que teremos a Copa e as Olimpíadas nos próximos anos.
O CRIA Plano vai cobrir oIntercom Sudeste 2012, que começa amanhã e vai até o dia 30 de Junho.
Fique ligado que em breve teremos mais notícias da equipe de planejamento direto de Ouro Preto!