A receita do Bolinho


O Grafite é uma forma de expressão que vem ganhando cada vez mais espaço nas grandes cidades. Apesar de ainda não ser suficientemente conhecido como manifestação artística por alguns públicos, por trás desse trabalho existe muito esforço e dedicação pelos grupos e artistas que levam essa técnica a sério. Além de refletir a realidade das ruas, essa arte urbana também tem como papel criar relações afetivas entre a população e o espaço urbano, transformando a vida agitada e a corrida nas grandes cidades. É um modo de ocupar esse espaço da forma escolhida pelo artista, que muitas vezes faz uso de suas próprias características para criar novas imagens.

Um exemplo de projeto artístico urbano notável são os bolinhos desenvolvidos por Maria Raquel, principalmente na cidade de Belo Horizonte. A criadora desse projeto participou do evento de palestras TIPCOM realizado pela Cria UFMG e pôde nos contar um pouco mais sobre o processo criativo e o sucesso desses divertidos grafites que deixam os muros da capital mineira muito mais fofos, coloridos e doces.

O Bolinho surgiu em 2009 e aos poucos foi se espalhando por diversos locais de Belo Horizonte. Maria Raquel escolheu esse personagem principalmente pela sua paixão por cozinhar e pelo cupcake ser um alimento que pode ser bastante explorado visualmente, com massas e coberturas diferentes. A grafiteira também contou que gostaria de deixar algo dela, ter sua forma de ocupar aquele meio urbano, despertando curiosidade e identificação com quem visse sua arte. Escolheu o grafite como principal meio de realização desse projeto, pois o considera como uma arte imposta: que a pessoa não tem muita escolha de não ver.

Maria Raquel também é bem dedicada e disciplinada ao realizar seu trabalho, pois se não for assim é difícil fidelizar um público para essa arte. O grafite se renova e muitas vezes é apagado, precisando ser recriado, não tem como existir reconhecimento do trabalho sem ele ser atualizado. Esse é um problema que ela vê na arte urbana de Belo Horizonte, vários grafiteiros tem uma técnica muito boa mas não se mantém ativos nesse meio.

O Bolinho é uma figura com grande apelo visual, assim pôde se transformar em uma marca. Atualmente além das mídias sociais, o projeto conta com um site e uma loja online que disponibiliza cases para celular, camisas, bolsas e etc. Maria Raquel conta que com as plataformas online pôde interagir mais com o público, tendo maior retorno do seu trabalho. Sabendo do sucesso dos cupcakes através do reconhecimento na página do facebook, teve a ideia de oferecer produtos aos fãs do Bolinho. Além disso, através desse é mais fácil escolher novas ações, como a mais recente, o Mapa do Bolinho. Esse mapa propõe 5 roteiros diferentes para procurar onde na capital mineira se encontram os bolinhos e quem cumprir esses roteiros ganha descontos na loja.



Os grafites do Bolinho foram uma forma diferente de ocupar a cidade, conseguindo cumprir a ideia inicial da criadora do projeto de forma divertida e curiosa. É muito bom ter projetos como esse saindo do forno, então não deixe de prestigiar esse incentivo. E claro, vamos continuar nos deliciando com as doces novidades do Bolinho que possam vir por aí

"Curta aqui" para salvar mais uma nigeriana


por Beatriz Neuenschwander


Uma campanha internacional de enorme repercussão está ocorrendo após um grave acontecimento na Nigéria. O movimento “Bring back our girls” (tragam nossas garotas de volta) já ganhou hashtag no twitter e milhares de adeptos.

O que aconteceu?

No dia 14 de Abril, o grupo rebelde nigeriano Boko Haram sequestrou mais de 200 jovens de uma escola internato em um vilarejo no Norte de Chibok. Aproximadamente 200 homens armados chegaram ao local à noite em 20 veículos para roubar mantimentos e levar as estudantes.

Mas por que esse grupo rebelde fez o sequestro dessas nigerianas?

Esse grupo vai contra o modelo Ocidental de educação que é implantado no país. Eles apresentam uma ideologia islâmica e extremamente conservadora, no qual as mulheres não deveriam ter direito aos estudos.



Na internet a notícia se espalhou rapidamente ganhando força nas redes sociais. O “Bring back our girls” logo ganhou o apoio de pessoas extremamente influentes como Michele Obama, Anthony Kiedis (vocalista da banda Red Hot Chilli Pepers), Anne Hataway e Emma Watson.

Em um cenário como esse é impressionante observar a dimensão que as coisas ocupam na internet. Imagens, textos e comentários se disseminam quase que instantaneamente e as notícias cruzam o mundo quase no mesmo momento em que acontecem. A relação de distância é cada vez menor e a rede apresenta-se cada dia mais complexa.

Mais complexo ainda é perceber o quanto a aderência dessas influências nas campanhas facilitam sua disseminação e ajudam a ganhar cada vez mais adeptos. Internautas que muitas vezes nem estão informados sobre o que está acontecendo apoiam a campanha simplesmente por verem seus ídolos lá, postando mensagens e demonstrando uma face de insatisfação.

É indiscutível que para um movimento ter força ele precisa de apoio. Contudo, como consequência da contemporaneidade é muito fácil demonstrar sua revolta por meio de um “click” ou um “curtir”. Isso pode ser comprovado pela comparação da quantidade de pessoas que foram às ruas e as que protestam via internet. São muitas “curtidas” e pouca presença. Então, a partir disso, até onde a internet é realmente útil para influenciar diretamente na resolução de problemas como esse? A internet dissemina notícias e te induz a curtir tudo aquilo que aparece na sua frente e que passa uma aparência de indignação. Porém, devemos saber o que está acontecendo, procurar a notícia e tentar saber a verdade ao invés de se deixar levar por tudo o que aparece.Textos de revolta, páginas de facebook e imagens sobre tudo isso são importantes para a criação de grupos que estão ali por uma mesma causa. Mas é preciso ter mais atitude e menos preguiça.

E por fim, é realmente útil dar o seu “curtir” revoltoso? Apesar da força desse movimento na internet, seria ele suficiente para trazer nossas meninas de volta?

Bom, a Internet tem esse defeito, não prevê futuro. E essa pergunta por enquanto... Nem mesmo o Google para respondê-la.

Rolê Gourmet


Que o Rolê Gourmet se tornou um grande sucesso não há como discutir. Mas por que seus vídeos ficaram tão famosos?

Como principal motivo para o êxito se tem a proximidade dos vídeos com seus espectadores. Isso se dá pelo fato de algumas receitas serem escolhidas pelo público, pela acessibilidade delas devido à linguagem simples e coloquial que é utilizada durante os vídeos, pela facilidade das receitas, que são sempre rápidas e nunca muito elaboradas, e, por fim, pela identificação existente entre o público, em grande parte jovem, e a imagem do PC e do Otávio.


Além disso, as repetidas tentativas de conquista do público, como a divulgação nos outros canais pertencentes a PC, e os diversos vídeos para atrair pessoas variadas funcionaram também para o crescimento dos views.

Para chamar mais atenção, os autores perceberam que era necessária a criação de um segmento para os vídeos relacionados à culinária, fazendo com que as pessoas interessadas naquele assunto pudessem navegar de forma mais fácil por diversos canais à procura do que as mais interessasse. A partir de uma oportunidade dada a Otávio, por ele e PC fundarem o primeiro canal culinário de destaque, ele se tornou diretor da Tastemade, network focada exclusivamente em culinária do YouTube, no Brasil.

Não existe uma fórmula para o sucesso, principalmente na internet, onde tudo muda de forma tão rápida. Entretanto, com muita persistência, talento e investimento nas plataformas certas PC e Otávio conseguiram alcançar grande êxito com seus vídeos.

Copa: período dos ovos de ouro


Texto por: Tatiane Alves

O mês de Junho está se aproximando e com isso o Brasil fica mais perto de abrir os portões para os diferentes povos, recebendo assim os tão esperados visitantes para a Copa do Mundo. É tempo de festa, comemoração, futebol e muita publicidade.

Na televisão, nos jornais, nas revistas, nos outdoors, na internet e até no refrigerante que você bebe é possível ver a grande quantidade de propagandas relacionadas ao Mundial de futebol. É o tempo em que as empresas mais aproveitam para se manifestarem e conquistarem grandes vendas.

Marcas de diferentes ramos utilizam a festividade e a grandiosidade do evento para se promoverem e atrair o público, como no caso da rede telefônica Oi que lançou a campanha “oi, eu tô na Copa” que oferece banda larga, fixo, TV ou internet por menos de R$ 1,00 por dia e a possibilidade de ganhar ingressos para os jogos da Copa do Mundo da Fifa. Uma campanha que tende a atrair muitas pessoas, levando em consideração que muita gente gostaria de assistir os jogos, mas não podem por causa do preço - absurdo - dos ingressos.

                            

A Casas Bahia também mostrou uma publicidade forte com a promoção “Emoção em Dobro Casas Bahia”, onde o cliente compra uma TV Samsung 60” e se o Brasil for campeão da Copa leva outra de 51” por apenas R$ 1,00. O comercial trata de forma humorística argentinos vibrando e torcendo pelo Brasil ao conhecerem a promoção – o que normalmente não aconteceria, pois torcedores brasileiros e argentinos são rivais.




Uma das maiores empresas que atuam fortemente no ramo publicitário e que traz sempre o tema da Copa para suas propagandas é a Coca Cola. Ela tem o poder de juntar dois mundos diferentes - refrigerante e futebol - de uma forma que atrai completamente o público. Nesta Copa a empresa trouxe duas campanhas que além de impulsionar a venda da marca se mostrou convidativa ao público. A primeira, lançada ainda em 2013, foi a propaganda "A Copa de todo mundo" onde a empresa, já cheia de fãs, conseguiu arrebatar o coração de mais alguns, pois além de mostrar o povo brasileiro com seu jeito alegre e receptivo, tem a narração de um texto na voz do cantor Tom Zé - que recebeu várias criticas de seus fãs por apoiar a Copa. A propaganda é exibida na TV, na internet e até mesmo antes dos trailers em exibições nas salas de cinema. Em tempos de campanhas anti-copa, a poderosa multinacional se mostrou ousada ao criar uma propaganda como esta e conseguiu fazer com que milhares de telespectadores saibam recitar junto ao cantor ao menos alguma das frases, que já são bordões da Copa antes mesmo que ela aconteça. 


A segunda é a campanha de minigarrafinhas que foi um sucesso na década de 80 e com sua volta - mesmo que breve - resgatou lembranças de várias pessoas. Foram lançadas 18 miniaturas feitas em alumínio e decoradas com as bandeiras de todos os países que já sediaram o Mundial e dos três próximos países-sede e 2 com designs diferentes. O público aprovou tanto a campanha que em pouco mais de um mês todo o estoque chegou ao fim.






Tendo copa ou não, estamos no auge da publicidade, temos um tema, muitos produtos e muitos recursos midiáticos. A resposta rápida do povo brasileiro à forte influência das campanhas sobre os mesmos só mostra que, mesmo a maioria sendo contra a Copa, esta é a hora e o momento de produzirmos a melhor propaganda para o mundo, pois o holofote está em nosso país.

100% Natural


As revistas femininas, principalmente as de fofoca, têm o costume de expor em suas páginas artistas em situações consideradas embaraçosas, como por exemplo, sem maquiagem ou com cabelo desarrumado. Nesses casos, as aparições “ao natural” são vistas como pejorativo, isso porque o público espera que as celebridades, devido ao seu papel de destaque, estejam sempre arrumadas e impecáveis. 

A Glamour Brasil é uma revista dedicada ao público feminino e trata principalmente de moda e beleza. Ela oferece às suas leitoras dicas sobre esses temas e comenta o que é utilizado pelas famosas, certas vezes as criticando.


Na edição de Maio, quebrou-se o paradigma do natural como pejorativo. Inspirando-se na americana Vanity Fair, a revista brasileira tirou fotos de várias famosas sem maquiagem, tratamento no cabelo ou utilização de qualquer retoque digital, mostrando-as totalmente “de cara limpa”. O objetivo da matéria era fazer com que os leitores vissem a verdade por trás de todo encanto criado na imagem das celebridades, mostrando-as, assim, como pessoas comuns e não mais como inatingíveis e distantes.

Entretanto, após anos de severas críticas dos defeitos, completamente normais, existentes nas celebridades, como rugas e quilos a mais, será que a atitude de enaltecer a naturalidade é verdadeira?  Ou se mostra apenas como outra jogada publicitária para atrair público e tentar mostrar a revista como diferente das outras?

A Glamour tem como principais assuntos a moda e a beleza e, por vezes, realiza crítica aos famosos por não se encaixarem nos padrões estéticos e estilísticos impostos pela sociedade. Sendo assim, mostra-se certamente contraditório a valorização do natural, parecendo ser apenas mais uma jogada de marketing!   
 
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