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Licença, mas essa carne é Friboi?


Em "O Primeiro a Gente Nunca Esquece", Washington Olivetto fala sobre o filme mais premiado da publicidade brasileira. "Meu Primeiro Sutiã", propaganda criada pelo redator, aborda um sentimento universal a todas as mulheres, se comportando, então, de uma forma atemporal. O bordão "o primeiro sutiã a gente nunca esquece", uma das frases publicitárias mais parodiadas do Brasil, sendo reproduzida por Pelé e Ayrton Senna, se imortalizou e, como diria Olivetto em seu livro, conseguiu "atingir uma ambição mais nobre: entrar para a cultura popular do país". Porém, essa nobre ambição de que Olivetto fala não se reserva a só suas campanhas, já que várias outras propagandas também provaram que publicidade não é só vendas, é também sobre cultura. 


Você deve se lembrar do polêmico “Quer pagar quanto?” da Casas Bahia ou do “1001 utilidades” do Carlos Moreno pra Bombril. E talvez você nem se lembre, mas simplesmente um dia escutou isso, nunca pesquisou, e sai por aí falando que certa coisa “Não é assim uma Brastemp”. Ou quem sabe de vez em quando se depara com o não tão verdadeiro “Tipo Net” na TV e com a lição de que existem coisas que o dinheiro não compra, mas que, para todas as outras, existe MasterCard. E, depois do poder da publicidade de tornar redes de varejo, produtos de limpeza, lava-roupas, TV e Internet por assinatura e cartão de crédito em cultura popular, chegou a vez de Tony Ramos fazer o Brasil todo perguntar: é Friboi?

A JBS, empresa brasileira responsável pela Friboi, é o maior frigorífico do setor de carne bovina do mundo. No final de 2010, movimentou-se para reposicionar a empresa, lançando em 2011 um vídeo institucional e uma campanha com astros da música sertaneja, em que, guardando os selos dos produtos Friboi, era possível trocá-los por bonecos desses artistas. Porém, foi só agora, em 2013, que a Friboi conseguiu se posicionar e se consolidar no mercado de uma forma sensacional. 



Por mais que digam o contrário, a Friboi com Tony Ramos, seu garoto propaganda, criou uma cultura nos brasileiros de se preocupar com a marca da carne que estavam comprando. Antes, as carnes eram escolhidas pelos consumidores a partir da data de validade e preço. E só. Porém, a Friboi, ao introduzir a questão do controle de qualidade e da origem da carne que se compra, cria o hábito nos consumidores de pedir a carne pela marca. E, ao ser a primeira empresa frigorífica a se posicionar como de qualidade e confiança, carne de marca se torna sinônimo de Friboi. O sucesso da campanha pode ser percebido pela concorrência, que também começou a se utilizar mais de seu nome, reforçando-o como marca, mas, principalmente, pelo seu próprio desenvolvimento: Tony Ramos, no primeiro filme, aconselha uma senhora sobre a qualidade das carnes Friboi. Em outros comerciais, conversa com um grupo de amigos no supermercado, com um casal, mãe e filha e, por fim, com um grupo de amigas dentro de um restaurante. Após todo esse sucesso, a campanha atual da marca é passar em várias capitais do Brasil para entrevistar consumidores e açougueiros para provar que, de fato, hoje carne é sinônimo de marca e essa marca é Friboi. Dessa forma, é perceptível como a intimidade do Tony Ramos com o público aumenta gradativamente, gerando uma aproximação com o consumidor e, consequentemente, reforçando a marca.



A campanha que, depois de tanto sucesso, agora é memética e colocou na boca dos brasileiros mais um bordão derivado do êxito publicitário, se mostra genial: posicionamento, vendas e cultura popular, assim como Olivetto.

O consumidor manda?


As empresas hoje estão cada vez mais interessadas em envolver o consumidor em alguma experiência que faça a marca se tornar algo mais especial para aquela pessoa. Os flashmobs (lembrando do da T-mobile  que já foi postado aqui) são um grande exemplo disso. 

Mas esse tipo de experiência que estou falando vai além desses grandes eventos.

Na palestra de Washington Olivetto no CRIO 2012, ele mostrou um case da Sprite que envolvia a seguinte idéia: foi lançado uma espécie de concurso que os internautas, no site da marca, desenhariam artes para serem colocadas nas latinhas do refrigerante e, acredite, com os nomes dos vencedores. Mas a repercussão foi tão grande que eles resolveram usar os desenhos que não foram para as latinhas em estampas de tênis. Confira:



Outra tendência que percebo é a multiplicidade de lugares que a marca pode aparecer hoje. Perceba que nesse case da Sprite a marca esteve presente na internet, nas redes sociais, nas ruas, nas lojas (tanto supermercados quanto lojas de tênis)... quando vejo isso penso num efeito dominó quando os planejadores desse tipo de campanha pensam em tantas ações, que envolvem muitos outros recursos, mídias, etc.



A Ruffles também teve uma campanha que envolvia o consumidor: você lembra que eles fizeram aquela promoção, "Faça-me um sabor"?

A idéia era que as pessoas enviassem possíveis sabores para a batata da onda. O número de inscritos foi nada mais nada menos do que  1.915.000 de pessoas. O prêmio com certeza justificava essa grande procura: o vencedor ganhou R$20 mil por ter sido finalista + R$30 mil por ter vencido o concurso + 1% sobre o faturamento líquido gerado pelo sabor criado por seis meses a partir do início das vendas (o que fez dele, Helder Lanzoni, uma espécie de sócio da PepsiCo, que é fabricante da marca Elma Chips, Quacker, Pepsi, e muuitas outras.

E como último exemplo, escolhi a promoção da Adidas com o concurso de customização de um par de óculos escuros originals que será lançado em 2013 e que já tem um nome: Santiago. Os que se interessarem tem que enviar seus modelos para a página criada pela plataforma Talenthouse (http://www.facebook.com/adidaseyewear). E o vencedor?

De acordo com o site oficial, o vencedor vai ter a chance de participar da equipe de design da Adidas para finalizar projetos, sem contar com o prêmio de $3 mil dólares. 

Que experiência, hein?

Para saber mais da promoção da Adidas, acesse:

CRIO 2012 - "O melhor negócio é a grande idéia", com Washington Olivetto



Foi nessa quarta-feira, fechando o CRIO com chave de ouro, que o publicitário Washington Olivetto fez uma palestra usando um slide que centralizava o tema de sua apresentação: “O melhor negócio é a grande idéia.". Para Olivetto, uma grande idéia é simples, óbvia e não é nada complicada - acredito que aí está o motivo de ele ter somente um slide. Uma de suas primeiras afirmações foi que hoje as pessoas fogem de coisas complicadas. E sua apresentação foi uma sequência de campanhas, comerciais e anúncios (da W/McCann e das antigas da DPZ, W/GGK e W/Brasil) que ilustravam o que o palestrante considerava ser uma grande idéia.

Olivetto começou com o comercial chamado "Hitler", que teve como cliente a Folha de São Paulo, de 1988, e que atualmente foi adaptado para uma versão em que a imagem final aparece em um iPad:


A atual:



Depois de ter mostrado a versão antiga e a nova, ele provou e ainda enfatizou o fato de que grandes idéias são atemporais (adaptação de um comercial realizado há 15 anos) e independem do meio. Para o palestrante, as idéias não são modernas ou antigas; elas são boas ou ruins.

Sobre os profissionais de Comunicação, ainda tratando das grandes idéias, Washington Olivetto disse que hoje estamos em um mundo em que as pessoas já nascem comunicadoras: pelas redes sociais, pelo Youtube e outros tipos de sites já se pode criticar uma marca, publicar (postar, tweetar, há tantas variações...) uma notícia, E aí vem a questão: a tecnologia pode ter democratizado o gesto de escrever, mas o escrever bem não acompanhou esse processo, afirmou o palestrante. Este é o diferencial: escrever bem, fazer bons briefings são passos necessários que levam à uma boa propaganda.

Em relação ao jornalismo, destacou a tensão entre a credibilidade jornalística e o fato jornalístico em si, que também se relaciona com essa democratização da escrita, mas não, necessariamente, com a credibilidade do que se lê. Para exemplificar, ele mostrou esses comerciais, também da Folha de São Paulo:




Outra característica que ele ressaltou para demarcar as qualidades de uma boa propaganda foi o fato de o comercial não precisar ter um ar sério, mesmo se tratando de temas sérios: o humor é um componente interessante, e ainda pode passar a credibilidade, como pode se inferir desse vídeo.


Ainda falando de idéias boas que não têm validade, Olivetto mostrou também as seguintes boas idéias que participou na produção:

O vídeo trata de uma Campanha de lançamento da Fnac em Campinas, mas que também foi usada na Europa:





Ele também mostrou um comercial da Época fan-tás-ti-co:




Já em relação às campanhas mais atuais, Washington Olivetto fez questão de mostrar as mais recentes propagandas que a W/McCann fez. Para falar delas, ele afirmou que a grande questão é achar a linguagem das coisas, tentar entender o que as definem, o que as contextualiza para entendê-las bem. E, claro, o argumento das grandes idéias continua valendo como lema para o publicitário. 

Abaixo, a nova campanha do Bradesco que, agora, é representado como BRA na sua identidade visual. De acordo com Olivetto, a idéia era transformar o banco conhecido internacionalmente como do Brasil. Pode ser um detalhe, mas isso já diz muito sobre a marca, e é esse tipo de simplicidade que ele defende.




Por último, coloco aqui o case de dia das mães deste ano que a W/McCann fez pra Coca-Cola. A marca tinha pouca grana e a idéia tinha que ser boa com pouco cachê. Que tal homenagear a mãe do juiz, que é tão xingada nos campos de futebol?




Ah, e pra quem tá interessado em trabalhar com ele ou saber quais critérios ele usa pra escolher um estagiário ou funcionário, ele contou que considera 3 coisas: a pessoa tem que ter algum talento, sorte e muito trabalho. Mãos à obra, comunicólogos!






Pra quem ainda não conhece, Washington Olivetto é publicitário, chairman da W/McCann e CCO da McCanWorldGroup América Latina e CaribeFoi o primeiro brasileiro a ganhar um leão de ouro em Cannes (com o famoso comercial do primeiro sutiã Valisère) e hoje já tem mais de 50 leões em Cannes. Ah, e também foi ele que inventou o garoto-propaganda da Bombril, o Carlos Moreno. Qualquer descrição que eu tente fazer aqui vai ser incompleta.. maas, só pra esclarecer, tô só apresentando, ok?
 
(definição Wikipédia de chairman: "é o mais alto funcionário de um grupo organizado, como um conselho, comitê ou assembléia deliberativa.A pessoa que detém o cargo é normalmente eleitos ou nomeados pelos membros do grupo.")



O site da agência dele é http://wmccann.com.br/. Não, eles não tem o portfólio deles lá. Vejam que fantástica idéia (mas que deixa a gente mais curioso ainda pra saber o que eles fizeram!).

Até a próxima, gente! :)
 
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