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Produtos licenciados invadem o futebol



O licenciamento de produtos é uma estratégia de mercado que está bombando o novo cenário do marketing esportivo brasileiro. O que há muito tempo já se faz com os grandes clubes europeus chega cada vez com mais força no Brasil.

Atualmente o licenciamento de produto é uma das fontes de maior receita dentro de um clube de futebol. Para se ter uma idéia esse mercado gira em torno de 5 bilhões por ano no país e é pequeno ainda comparado a outros países amantes do esporte como o nosso.

Existem diversas formas diferentes de licenciamento, mas a forma mais simples de entender é assim: “Um clube tem uma torcida. Essa torcida quer usar uma camisa oficial para ir aos jogos. Assim, o clube licencia sua marca para que um fabricante de materiais esportivos produza e distribua as camisas. Em troca, o time recebe royalties sobre as vendas. E assim, temos um simples exemplo de licenciamento de produtos”.

As vantagens dessa prática de mercado são infinitas. Algumas delas são: Menores investimentos na criação de produtos, comunicação e deslocamento. Transferência dos valores da marca em questão, diversificação do portfólio, faturamento adicional e entrada em novos segmentos. Antes disso, o licenciamento é extremamente eficaz também como instrumento de marketing para divulgação da marca ao público.

Além da habilidade de saber o que é interessante ou não a ser vinculada com a imagem da empresa, espera-se somente que ela tenha uma marca já consolidada no mercado, como um grande time. Deixo em baixo alguns produtos licenciados de sucesso.

O Sport Club Corinthians Paulista, por exemplo, lançou em Setembro de 2011 o “Collector's Book Nação Corinthians”. Sendo este o maior livro já produzido no país, com apenas 1500 exemplares de luxo e que custavam até 15 mil reais. O produto pesa 30 quilos e mesmo antes do lançamento já possuia grande parte da edição única encomendada. A notícia do livro inusitado foi parar em vários jornais, revistas e sites de temas variados.



O Sport Club Internacional por sua vez encontrou de forma diferente o sucesso nos últimos anos, vendo as receitas subirem 870% de 2006 a 2010. Grande parte desse faturamento veio do investimento no ramo alimentício, que é um mercado de grande volume de negócios e hoje representa mais de 6% do faturamento anual do time. O clube gaúcho licenciou produtos como espumantes, pipocas e bolinhas de polvilho.
Com a oportunidade do centenário, o Internacional fixou uma parceria com a tradicional Nestlé para lançar latas personalizadas do produto comemorativo “Nescafé”. Com o sucesso da parceria, o clube lançou no mesmo ano o chocolate personalizado “Sem Parar”. Somente nos primeiros 40 dias de comercialização foram vendidas mais de 60 toneladas do produto.



Um exemplo de sucesso polêmico foi a camisa rosa lançada pelo Atlético Mineiro em 2010. Mesmo dividindo a opinião da torcida o produto teve amplo faturamento, algo perto de 700 mil reais. A atitude inédita no futebol brasileiro recebeu destaque da mídia nacional e vendeu em pouco mais de um ano 60 mil peças, um recorde mundial para camisas de treino.


Aparição (quase) Fenomenal

Ronaldo é a bola da vez na mídia brasileira. Todos só tem olhos para o que foi chamado de seu enésimo ressurgimento. Quem se deu bem com isso foi a Visa. Mas poderia ter se dado muito melhor.

O clássico Corinthians x Palmeiras já foi pensado como um grande evento. O jogo entre as duas equipes passou a valer a posse de um troféu, chamado Osvaldo Brandão, que mudará de dono de acordo com o vencedor do confronto mais recente. Caso dê empate a vantagem é de quem tem o mando de campo que, no domingo, era dos alviverdes.

Essa foi uma bela estratégia para apimentar a disputa entre os maiores rivais da capital paulista. Foi criado um atrativo a mais para o duelo.

Mas esse Corinthians x Palmeiras nem precisava disso. Esse já era o evento que marcaria a primeira aparição de Ronaldo vestindo a camisa do time do Parque São Jorge em solos paulistas, mais precisamente em Presidente Prudente.

O simples fato de ter o Fenômeno em campo já era garantia de festa para as torcidas e de dinheiro para o Corinthians. O clube conseguiu um patrocínio específico para essa partida. A Visa estamparia a sua marca nos uniformes do alvinegro.

No entanto, o nome da empresa que iria apresentar sua logo na camisa corinthiana só foi descoberto momentos antes do jogo. Tudo foi mantido sobre grande sigilo para que se causasse impacto.



No fim das contas, Ronaldo entrou em campo, driblou, cruzou, mandou um petardo na trave do goleiro Bruno e aos 48 minutos do segundo tempo, com um tom de drama e heroísmo deixou a sua marca em uma cabeçada, justamente o seu golpe mais fraco. A partir daí ele correu pra galera, o alambrado cedeu e existia apenas uma certeza: O mundo do futebol de voltava por completo para o camisa 9 das Copas de 98, 02 e 06. Ronaldo ressurgia. E em grande estilo.

Com isso, além, do Corinthians, de sua torcida e do próprio Fenômeno, quem saia ganhando era a Visa. A empresa se tornava naquele instante a instituição cuja marca ganhava a maior exposição na mídia brasileira em termos de esportes. Foi um gol de placa e a certeza de um investimento com retorno garantido.

Porém, esse gol poderia ser ainda mais impactante, imaginem se a Visa abrisse mão de manter um segredinho tolo e se revelasse com uma semana de antecedência como a patrocinadora do Timão no clássico. Se ela trocasse por um momento as suas inserções na TV para mostrar que estaria alí, no corpo de Ronaldo, naquele domingo a tarde em Presidente Prudente. O impacto, a visibilidade, tudo seria maior. Estaria na boca do povo que a visa patrocinou o Corinthians no dia em que renascia o Fenômeno.

No fim das contas o troféu foi para o Palestra Itália junto com o Palmeiras. A festa foi para o Parque São Jorge junto com o Corinthias. Ronaldo pode até ter ido para a balada comemorar com os amigos. Mas a aparição na mídia poderia ter ido em escala muito maior para a Visa e seus cartões de crédito, que teria uma aparição fenomenal em inúmeros veículos da imprensa nacional e internacional. Com dizia a estampa, Go Visa. Planeje melhor da próxima vez.
 
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