Sorria

Vocês já viram a nova logo da Pepsi? Eu já demonstrei anteriormente, neste blog, minha aprovação para uma medida ousada da Pepsi chinesa. Dessa vez, entretanto, a mudança de identidade da Pepsi me assustou muito inicialmente. Como eu disse, inicialmente.

Como vocês podem ver pelas fotos, a nova logo tem estilo bem mais clean que a anterior. Não vou ficar especulando e analisando a logo graficamente, mas o que eu quero dizer é que eu gostava muito do símbolo antigo, uma espécie de yin-yang que, na minha cabeça (e acredito que na de muitos), era marcante. A nova logo, visivelmente, quer nos esboçar um sorriso.

Primeiramente, eu praguejei contra a mudança, disse que era exagero e maluquice. Pensei "isso só vai dar certo junto de um ótimo plano de comunicação". Ao pesquisar mais a fundo, pude ver então que esse plano existe. Antes de mais nada, assistam a esse vídeo:



Fantástico! Talvez seja uma questão de costume, mas, além disso, a nova identidade da Pepsi é inegavelmente inovadora. As mudanças de acordo com o tipo de refrigerante também são interessantes. Para entender melhor ainda a justificativa para a transformação, é legal ler o manual de identidade da nova marca.

Todas essas mudanças, mais do que significar "nós podemos mudar e continuar conhecidos", significa também uma tentativa inédita de fugir do estereótipo de "rival da Coca", o que, ao meu ver, é louvável. Mais uma vez, a importância da conceituação, da fundamentação, e do planejamento, fica evidente, escancarada. E mais uma vez, eu me fascino com ela, como se não a conhecesse.

Mera coincidência...

O jornal "O TEMPO" do dia 15/06 veiculou uma matéria sobre o sucesso do formato diferente do Globo Esporte de São Paulo, apresentado por Thiago Leifert. Durante essas duas semanas assisti o programa pela TV a cabo e pelo YouTube e também gostei muito. O programa esportivo rompeu com o formato telejornal e se tornou mais informal.
Os textos não são decorados e repetições de palavras não são problema. Assim, se o apresentador tiver que repetir Galo na mesma frase ótimo. Muito melhor que "encebar" um "alvinegro do gol da lagoa". Além do texto informal e improvisado, Leifert frequentemente conversa com seus convidados jogando vídeo game, quebrando todo o glamour e mal-humor que, infelizmente, tomou conta da cobertura esportiva.

Em um primeiro momento, embora a audiência tivesse se mantido estável, o novo modelo foi muito criticado pelos telespectadores via e-mail. Só em uma primeiro momento. Hoje a audiência aumentou e só chegam mensagens elogiosas.

Eis a questão: será que a toda poderosa Rede Globo daria um arriscado tiro no escuro inovando no tradicionalíssimo Globo Esporte? E seu sucesso? Foi mera coincidência? Já disse Fred Vieira (professor da comunicação aqui da UFMG): quando se entra no curso de comunicação social, a ingenuidade e inocência vão embora. Percebi a minha inocência se perdendo me fazendo essas perguntas sobre o sucesso do Globo Esporte paulista. Certamente toda essa mudança estrutural no programa foi planejada. A resistência inicial, mas a estabilidade da audiência, evidentemente foi previsto e estudado. Por fim, o objetivo proposto, o aumento da audiência, foi atingido.

Possivelmente os planners da Globo pensaram que, em um período de teste, poderia haver reprovações do público, acostumados com outra forma, mas a audiência não cairia tanto, visto que é um programa com grande credibilidade e tradição. Entretanto essa resistência seria quebrada com o tempo, em face ao sucesso de alguns programas esportivos que combinam informação e bom-humor.

Desconstruindo os processos de comunicação é fácil perceber que, nesta área, não se faz nada sem planejamento!

Paradoxo da Visibilidade

Um é pouco, dois é bom três é demais e isso é um clichê! Ok. Você já parou para pensar na vida sem e-mail? Quantos e-mails você recebe por dia? Quantos envia? De quantas listas de discussão/grupos você participa?
Pois é, mas neste mundo do virtual, corre-se sempre o risco de cair na velha falácia de que no terreno da internet, em se plantando, tudo dá. E iludidos pela equação sedutora que coloca tempo de leitura de um e-mail em função do tempo do dia em que a pessoa está com o e-mail aberto, o spam pode aparecer como uma forma de propaganda obviamente perfeita: barata, fácil de distribuir e com grande potencial de difusão.
Mas calma! Já parou para pensar no paradoxo da visibilidade? Rebatendo a obviedade da afirmativa do parágrafo anterior, é óbvio pensar que um e-mail a mais, um e-mail a menos... e seu marketing super barato pode sair caro esbarrando na falta de eficiência. Pode ser só mais um e-mail desconhecido que vai para a lixeira eletrônica sem a chance de ser mesmo aberto.
Mas é claro que o e-mail, parte do dia de todo mundo que está lendo esta postagem (posso apostar!) pode ser uma ferramenta muito útil para uma boa comunicação dirigida. Basta obedecer à boa e velha regra das mães (e das revistas de dieta) de que tudo em excesso faz mal e que (quase) tudo pode ser muito apreciado, desde que com moderação. Até mesmo clichês, quando eles cabem (como no começo deste texto) ou um e-mail marketing enviado para as pessoas certas!
E como saber quem é o que? Sugestão: Planejamento!

Conquista! – parte 2

Histórico

O uso da sedução para vender é antigo, se confundindo com a própria historia da propaganda. As técnicas se aprimoraram com o tempo, e com o surgimento da TV, puderam ser explorados outros elementos, como a música e a criação de uma cena que pudesse retratar melhor essa idéia do que apenas a imagem na mídia impressa. A associação entre desejo e produto precisa ser feita com critério, pois a sexualidade sempre foi um tema complicado de se abordar, apesar de se tornar um assunto cada vez mais liberal. Por isso a importância de um planejamento adequado para cada situação, procurando entender o contexto social e a necessidade dessa relação, pois o uso inadequado pode incentivar a banalidade e gerar constrangimento, algo já ocorrido antes. É interessante observar que as transformações sociais possibilitaram a exploração mais explícita do corpo, mas o olhar ainda continua sendo um importante elemento para representar esse sentimento. As propagandas clássicas abaixo ilustram bem essa realidade, utilizando também de outros símbolos que remetem a esse universo do desejo, como a rosa. Outro caso fantástico de representação é a maçã da Apple, que simboliza tentação, o que sintetiza o posicionamento da marca.


E para complementar, vídeos da Pespi e da Fiat, de épocas distintas, mas repletos de sensualidade.


Os dois lados da curiosidade

Muitos planners tem uma característica que poderia ser chamada de indecisão e falta de foco, mas que é fundamental e as vezes enlouquecedora.

Os planners se interessam por tudo!

Não tudo tudo, porque nem tudo é legal e interessante e ninguém merece trombar com aquela vizinha carente no ônibus e escutar horas e horas no trânsito de como o sindico é desleixado e precisa mandar pintar o hall, ta tudo descascando e a faxineira não limpa, os moradores não reinvidicam e bla bla bla.

O que eu quero dizer é que há nos planners uma vontade de conhecer as coisas, saber como funcionam, o que é, de onde vem, enfim, uma curiosidade a mais, que faz com que haja um interesse por assuntos dos mais diversos.
Essa curiosidade, esse interesse por assuntos diferentes é que nos motiva a pesquisar, ler e perguntar. É essa curiosidade que garante que vamos fazer um bom trabalho, que vamos buscar entender a fundo o nosso cliente e o seu negócio, que vamos nos envolver o suficiente com aquilo para que façamos o trabalho da melhor forma possível.
Enfim, esse interesse por tudo é fundamental para que nos tornemos profissionais dinâmicos, flexíveis e eficientes.

Porém, essa característica tão importante pode ter um outro lado.

Não sei vocês, mas constantemente eu tenho crises de identidade que me fazem querer largar tudo e virar artista, bióloga, babá, cozinheira, arquiteta, música, decoradora, policial, artesã, etc, etc, etc...
Porque é tudo tão legal, tudo tão interessante, que eu fico em dúvida se o que eu quero trabalhar mesmo é com publicidade.
Cansei de me pegar pesquisando as coisas mais estranhas e sem nexo com a minha realidade na internet e com isso as vezes esqueço até mesmo de fazer os meus trabalhos de faculdade, estudar para minhas provas, ou trabalhar nos meus outros projetos pessoais.
Até já pensei que eu tinha transtorno bipolar por causa disso.
Mas agora eu acho que não, talvez seja apenas essa característica tão planejadora que me empurra para todos os lados, mas que no final da viagem sempre me deixa de volta nesse meu porto seguro que é a comunicação.

Acontece isso com vocês também?
 
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